Este blog aborda assuntos essênciais para a construção das nossas
vidas, afinal precisamos saber de onde viemos para
descobrir quem somos e para onde vamos. Nesta edição
falaremos sobre "A Primeira Guerra Mundial", um
conflito que marcou o início de um era de
transformações.


Sejam Bem-Vindos

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Lei Seca

No pós-guerra, ao mesmo tempo que crescia o consumismo e a prosperidade nos EUA, ganhava força a campanha moralista das ligas feministas, responsáveis pela proibição das bebidas alcoólicas no país. Em escala nacional, surgiram movimentos contra as bebidas desde o século XIX. Médicos, líderes religiosos e empresários americanos criaram o Movimento de Temperança. Diziam que beber destruía a saúde mental e levava ao vício certo. Após a Guerra Civil (1861-1865), este ganhou força. A partir daí surgiu o Partido Proibicionista, a União Feminina de Temperança Cristã ( mulheres que invadiam bares e quebravam garrafas) e a Liga dos Antibares, fundada por fazendeiros, que saudaram a Lei Seca como “ uma era de idéias e vidas limpas”.

Como resultado das pressões populares, em 1920, entra em vigor a 18ª emenda constitucional dos EUA, proibindo a fabricação, o comércio, o transporte, a importação e a exportação de bebidas alcoólicas. Essa medida foi tomada com o objetivo de salvar o país de problemas que iam da pobreza à violência. O texto instituía o Ato de Proibição Nacional, também conhecido por Ato de Volstead, na qual era considerada “intoxicante” qualquer bebida que tivesse mais do que 0,5% de álcool ( as cervejas mais fracas têm 2%)

Válida por 13 anos, a emenda se tornou um dos maiores fracassos legislativos do país, surtindo efeitos extremamente contrários aos esperados. Apesar de ter apoio de muitos setores da sociedade, a Lei Seca foi ignorada por milhões de americanos. Muitos iam ao Canadá e voltavam com caminhonetes e lanchas cheias de bebida. Outros faziam uísque no seu próprio quintal. Havia até quem se passase por padre ou médico para conseguir alguns litros de vinho sacramental ou destilados medicinais. A falta de fiscalização resultou na organização da venda e fabricação clandestina. Foi assim que surgiu os gângsteres e a máfia. Dessa forma cidades como Chicago e Nova York, viram a criminalidade explodir.

Sob a lei, os americanos encontravam-se nos “speakaesies”, bares clandestinos, muitas vezes subterrâneos, nos quais era preciso falar baixo para não chamar a atenção. Além disso, surgiram bebidas muito incrementadas, com o objetivo de disfarçar o gosto ruim dos destilados clandestinos de baixíssima qualidade, frabricados de maneira tosca e contendo substâncias tóxicas como óleo de cozinha com água de colônia, fluido de isqueiro, sucos e xaropes, alvejantes, solventes de tinta e formol, um exemplo é o bloody Mary, à base de suco de tomate. Isto contribuiu para que o numero de casos de morte por cirrose praticamente não diminuísse durante a Lei Seca.

Mas nem todas as mortes tinham relação com o fígado. Entre 1920 e 1935, as taxas de assassinato cresceram 30%, os delitos de dirigir embriagado cresceu 467% e as mortes por alcoolismo 600%. Contudo, os americanos seguiam suportando a proibição, já que o país passava por um moneto de extremo desenvolvimento. Mas com a quebra da bolsa de Nova York, a falência das fábricas e famílias, determinou o fim da Lei Seca. A depressão cortou o fluxo de dinheiro que fluía para o crime organizado, as pessoas ficaram desempregadas e alegavam que com o fim da proibição poderiam movimentar a economia.e aumentaria a arrecadação de impostos.

Em Março de 1933, dias depois de assumir a presidência, Franklin Roosvelt pediu ao Congresso que legalizasse a cerveja. Finalmente, em 5 de dezembro, a Lei Seca se tornou a única emenda constitucional americana a ser revogada.Em clima de festa, os bares americanos voltaram a funcionar a pleno vapor.

De fato, o volume de bebidas diminuiu: o número de litros consumidos em 1915 só seria atingido novamente em 1970. Porém, com a proíbição, os americanso mudaram de hábitos. Como a cerveja era mais difícil de ser feita, eles passaram a preferir destilados, que contém muito mais álccol. A Lei Seca fez os EUA beberem menos, mas beberem pior. Além disso tornou os mafiosos em lendas vivas.

Curiosidades:




  • Partidários da Lei Seca defendiam a idéia que um alto teor de álccol no sangue podia provocar uma combustão espontânea


  • Convencidas que a Lei Seca acabaria com os crimes, algumas cidades venderam os prédios, onde ficavam suas prisões.


  • O movimento da Temperança chegou a reescrever a Bíblia, tirando todas as referências a álccol. E insistia que Jesus não tomou vinho, mas sucon de uva.


  • Nos anos 30 alguns desesperados usavam fluídos de refrigerantes para fazer bebidas. Muitos deles morriam.


  • Ainda hoje, alguns condados nos EUA, mantém a Lei Seca em vigor.

    FOTOS:

    Litros de bebida ilegal são jogados fora


Cartaz americano: “você me(EUA) apóia ou apóia a bebida?””Vote, sim, para a proibição"







A proibição da venda de licor (bebida) conduziu
a um comércio ilegal próspero, e também
trouxeuma onda de crime e corrupção política
ao país. Aqui nós vemos um gângster humilde
com a pistola puxada, o chefe de crime
com o charuto, seguido pelo político corrupto.




Em muitas cidades, como Newark, surgem manifestações
pedindo o fim da proibição:“queremos cerveja!"




Frábricas clandestinas de bebidas




Famoso Gângster e chefe da máfia





Dick Tracy é um detetive das tiras de quadrinhos e um personagem popular da cultura norte-americana, surgiu no período da Lei Seca, junto com a máfia, como um personagem que conteria o crime organizado.




“Speakeasies”




Tornaram-se comuns os cantis de bolso
que escondiam abebida nos mais
improváveis lugares.








Comemoração pelo fim da Lei Seca

Fontes:
História das cavernas ao terceiro milênio 8ª série
Patrícia Ramos e Myriam Becho, ed. Moderna.
Revista Aventuras na História, edição 49 setembro 2007
Abril
http://pt.wikipedia.org; capturado em 2 de novembro.

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