Este blog aborda assuntos essênciais para a construção das nossas
vidas, afinal precisamos saber de onde viemos para
descobrir quem somos e para onde vamos. Nesta edição
falaremos sobre "A Primeira Guerra Mundial", um
conflito que marcou o início de um era de
transformações.


Sejam Bem-Vindos

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Guerra Civil Espanhola

Em 1923 a Espanha caiu sob a ditadura do general Primo de Rivera, apoiado pelo rei Afonso XIII. Com a grave crise econômica de 1930 (iniciada pela quebra da bolsa de valores de N. Iorque, em 1929), a ditadura do Gen. Primo de Rivera, amparada pelo caciquismo (sistema eleitoral viciado que sempre dava seus votos ao governo), foi derrubada. Pressionado por manifestações populares de descontentamento contra o desemprego, a falta de liberdade e a onda de escândalos de corrupção, Primo de Rivera renunciou ao poder. Assim Afonso XIII tentou restaurar o regime parlamentar e constitucional.



A Espanha na década de 30 ainda era muito atrasada, enquanto a Europa ocidental já possuía instituições políticas modernas, no mínimo há um século a Espanha era um oásis tradicionalista, governada pela "trindade reacionária"(O Exército, a igreja católica e o Latifúndio). Assim, Foram convocadas eleições ,em 1931, para compor uma assembléia constituinte em Junho, que proclama a separação entre Igreja e Estado, e embora os monarquistas tenham saído vitoriosos, os republicanos conquistaram a maioria nas grandes cidades. Prevendo uma guerra civil, o rei Alfonso XIII prefere abdicar e proclama-se a Segunda República.



Iniciou-se então um período de intensos conflitos entre as duas forças contrárias.



  • Frente Popular: formava o Governo Republicano, representando os sindicatos, os partidos de esquerda e os partidários da democracia. Tinha o objetivo de acabaçar com o avanço do fascismo que já havia conquistado Itália, a Alemanha e a Áustria. Socialistas, Comunistas (estalinistas e troskistas) Anarquistas e Democratas liberais deveriam uniram-se para chegar e inverter a tendência mundial favorável aos regimes direitistas





  • Falange: forças do nacionalismo e do fascismo, aliadas as classes e instituições tradicionais da Espanha (O Exército, a Igreja e o Latifúndio). Tinha o objetivo de livrar o país da influência comunista e do franco-maçonaria e restabelecer os valores da Espanha tradicional, autoritária e católica.


A esperança era que a Espanha pudesse ser como seus vizinhos ocidentais e marchar para uma reforma modernizante que separasse estado e igreja e que introduzisse as grandes conquistas sociais e eleitorais recentes, além de garantir o pluralismo político e partidário e a liberdade de expressão e organização sindical. Mas o país terminou por conhecer um violento enfrentamento de classes, visto que à crise seguida por uma profunda depressão econômica, provocando a frustração generalizada na sociedade espanhola.
Em 1933, a recusa dos anarquistas em dar apoio aos partidos de esquerda, e sua propaganda pela "greve do voto", permite a vitória eleitoral da direita. Mas em 1936 foi derrotada pela Frente Popular.




A reação dos grupos conservadores foi fulminante. No dia 18 de julho de 1936, o Gen. Francisco Franco insurge o Exército, estacionado no Marrocos, contra o governo republicano. Ocorre que nas principais cidades, como a capital Madri e Barcelona, a capital da Catalunha, o povo saiu às ruas e impediu o sucesso do golpe. Milícias anarquistas e socialistas foram então formadas para resistir o golpe militar.
Teve início, assim, a sangrenta guerra civil entre os falangistas, dirigido por Francisco Franco, contra as forças republicanas.
O lado nacionalista de Franco conseguiu imediato apoio dos nazistas (Divisão Condor, responsável pelo bombardeamento de Madri e de Guernica) e dos fascistas italianos (aviação e tropas de infantaria e blindados) enquanto que Stalin enviou material bélico e assessores militares para o lado republicano.

A pior posição foi tomada pela França e a Inglaterra que optaram pela "Não-Intervenção". Mesmo assim, não foi possível evitar o engajamento de milhares de voluntários esquerdistas e comunistas que vieram de todas as partes (53 nacionalidades) para formar as Brigadas Internacionais (38 mil homens) e lutar pela defesa da República.
A guerra, que provocou quase 1 milhão de mortos e 2 milhões de feridos, terminou em 1939 com a vitória dos falangistas. Franco assumiu o título de generalíssimo e implantou um regime autoritário, em muitos aspectos semelhantes ao fascista, ficando no poder até 1978, ano em que morreu.




A Guerra Civil Espanhola foi, em muitos aspectos, um ensaio para a Segunda Guerra Mundial. Durante o conflito, Hitler e Mussolini testaram a eficiência de seus armamentos já pensando em uma guerra de proporções muito maiores.




  • Guernica

    1. Antecedentes



Na noite de 25 de julho de 1936, Hitler decidiu-se a apoiar Franco. Na semana anterior o general espanhol havia rebelado o exército contra o governo republicano-esquerdista da Frente Popular. A solicitação era modesta, contribuição de uma dezena de aviões de transporte e algumas armas. Hitler não hesitou. A vitória comunista na Espanha provocaria, por estímulo, a "bolchevização" da França, e seu regime ver-se-ia cercado por ela e pela URSS de Stalin.
Em pouco mais de três meses depois chegava à Sevilha, a Legião Condor, composta por 4 esquadrões de bombardeios e outros 4 de combate, além de unidades antiaéreas, antitanque e de panzers, num total de 6.500 homens. O acordo com os nacionalistas espanhóis concebia uma grande autonomia das forças nazistas que subordinavam-se apenas ao Jefe del Alzamiento, isto é ao próprio Franco. Madri, ainda em mãos dos republicanos esquerdistas, estava, desde o princípio do levante de 18 de julho, submetida a bombardeios aéreos irregulares




2. O ataque




Em um dia de feira-livre na pequena cidade da Biscaia. Das redondezas chegavam as suas estreitas ruas os camponeses do vale de Guernica, no país dos bascos, trazendo seus produtos para o grande encontro semanal. A praça ainda estava bem movimentada quando, antes das cinco da tarde, os sinos começaram os seus badalos. Tratava-se de mais uma incursão aérea. Até aquele dia fatídico - 26 de abril de 1937 - Guernica só havia visto os aviões nazistas da Legião Condor passarem sobre ela em direção a alvos mais importantes, situados mais além, em Bilbao. Mas aquela 2ª feira foi diferente. A primeira leva de Heinkels-11 despejou sua bombas sobre a cidadezinha precisamente às 16:45 horas. Durante as 2 horas e 45 minutos seguintes os moradores viram o inferno desabar sobre eles. Estonteados e desesperados saíram para aos arredores do lugarejo onde mortíferas rajadas de metralhadora disparada pelos caças os mataram aos montões. No fim da jornada contaram-se 1.654 mortos e 889 feridos, numa população não superior a 7 mil habitantes. Quase 40% haviam sido mortos ou atingidos. A repercussão negativa foi tão grande que os nacionalistas espanhóis trataram logo de atribuí-la aos "vermelhos".




A escolha da pequena Guernica deveu-se a vários motivos. A cidade era um alvo fácil, sem proteção antiaérea, além de não ter uma população numerosa. Além disso abrigava um velho carvalho (Guernikako arbola) embaixo do qual os monarcas espanhóis ou seus legados, desde os tempos medievais, juravam respeitar as leis e costumes dos bascos, bem como as decisões da batzarraks (o conselho basco). Como o levante de Franco foi também contra a autonomia regional, a destruição de Guernica serviria como uma lição a todos os que imaginavam uma Espanha federalista ou descentralizada. Assim, quando a notícia da dizimação provocada pelo bombardeamento "científico" chegou aos jornais provocou um frêmito de horror em todos os cantos do mundo. Quase todos os habitantes de cidades, em qualquer lugar do planeta, sentiram instintivamente que estavam sendo apresentados a um outro tipo de guerra, à guerra total, e que, doravante, por vezes, seria mais seguro estar-se numa trincheira no fronte, do que vivendo numa grande capital.

3. Guernica de Picasso


Inspirado ou chocado com o terror das cenas de Guernica, Picasso retratou o horror em uma tela, quase um mural de 350,5 x 782,3, levando 5 meses para concluir.
Para retratar o clima sombrio que envolvia o desastre, utilizou-se da cor negra, do cinza e do branco. O painel encontra-se dominado no alto pela luz de um olho-lâmpada - símbolo da mortífera tecnologia - seguida de duas figuras de animais. No centro um cavalo apavorado, em disparada, representa as forças irracionais da destruição. A direita dele, impassível, um perfil “picassiano” de um touro imóvel. Talvez seja símbolo da Espanha em guerra civil, impotente perante a destruição que a envolvia. Logo a baixo do touro, encontramos uma mãe com o filho morto no colo. Ela clama aos céus por uma intervenção. Trata-se da moderna pietá de Picasso. Uma figura masculina, geometricamente esquartejada, domina as partes inferiores. A direita, uma mulher, com seios expostos e grávida, voltada para a luz, implora pela vida, enquanto outra, incinerada, ergue inutilmente os braços para o vazio, enquanto uma casa arde em chamas. Naquele caos a tecnologia aparece esmagando a vida.




Fontes:

Descobrindo a História Idade Contemporânea 8ª série
Elio Bonifazi e Umberto Dellamonica.

http://educaterra.terra.com.br, capturado dia 2 de novembro de 2007

http://pt.wikipedia.org, capturado dia 2 de novembro de 2007

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